Em quais momentos você tem se abandonado para atender expectativas que não fazem sentido para você?


Eu decidi passar um Natal completamente sozinha pela 1ª vez e foi libertador.

Pela primeira vez, não me submeti a expectativas sociais que também exigiam a negação dos meus valores e princípios éticos. Preferi estar comigo a me trair para caber. Autenticidade está em não negociar quem eu sou para caber em expectativas alheias...

Ninguém fala sobre isso, mas há uma romantização compulsória da família, das datas comemorativas e da presença obrigatória do outro para poder pertence, e isso também machuca — especialmente quando silencia convicções pessoais profundas, como o veganismo é para mim.

“Eu escolhi a minha verdade, mesmo que ela não coubesse na tradição.”

Como psicóloga sei que o sofrimento psíquico muitas vezes nasce quando há uma ruptura entre quem somos e o papel que desempenhamos para pertencer. Vivemos em uma cultura que romantiza a presença do outro, mas silencia quando escolhemos estar em companhia de nós mesmas. A solitude, quando escolhida, não é patológica. Ela pode ser um espaço de autorregulação, organização emocional e fortalecimento da identidade.

Passar o Natal sozinha foi um exercício de coerência interna. De respeito ao próprio limite.  De maturidade emocional.

Quando me respeito, não preciso performar pertencimento.

Nem toda ausência é perda. Em muitos casos, é um movimento saudável de preservação psíquica. Nesse natal, fui coerente com o que eu sinto, penso e vivo.

Nem todo afastamento é perda.  Às vezes, é retorno para si.

Quantas vezes você se coloca em contextos que ferem seus valores apenas para manter uma aparência de pertencimento?